TRAÇOS DO TERRITÓRIO
Projecto desenvolvido em residência artística, com a duração de 6 meses, no âmbito do OASis "Por Baixo da Figueira" na Cultivamos Cultura em São Luis.
O projeto parte da procura de marcas no território — naturais ou produzidas pela ação humana — e do paralelismo entre a paisagem e o corpo tatuado. Tal como a tatuagem inscreve uma marca no corpo, também a água, a erosão, os movimentos geológicos e a presença humana deixam vestígios na superfície terrestre, tornando visível a passagem do tempo.
A investigação desenvolveu-se através de caminhadas de observação entre o rio Mira e a costa, acompanhadas por processos de desenho, fotografia e recolha de materiais. Os mapas, inicialmente utilizados na preparação das atividades Walk & Draw, tornaram-se também uma forma de observar e interpretar o território.
O desenho surge como método de investigação: identifica, amplia e traduz as marcas encontradas. Através do zoom, topografias, dobras, fraturas e veios são observados quase ao microscópio.
O xisto recolhido no rio Mira é transformado em pigmento, permitindo que o próprio território participe na construção da sua imagem.
Os tons alaranjados remetem para a alteração e oxidação dos minerais presentes na rocha.
Mais do que representar a paisagem, este trabalho propõe desacelerar o olhar. Cada ampliação revela uma nova escala e cada desenho constitui um fragmento, um registo e uma hipótese dentro de um arquivo em permanente construção.